Condições para estar em união com Deus - Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

janeiro 13, 2015 Seara Viçosa 0 Comments

Em primeiro lugar é viver intensamente o que se reza na oração ensinada por Jesus: “Seja feita a vossa vontade”. Trata-se de um posicionamento imprescindível para o cristão existir em função de Deus. É  deixar nas mãos divinas o que se faz ou se realizará. Tudo entregando aos desígnios da Providência do Criador. Para isto  cumpre invocar sempre as luzes celestiais, dado que ninguém sabe por si mesmo o que é melhor em vista à salvação eterna. A sabedoria do Senhor é, evidentemente, superior à do ser criado, finito, contingente. É necessária então a prece bíblica: “Mostra-me o caminho que devo trilhar” (Sl 145,8). Em segundo lugar o fiel precisa se doar inteiramente ao Ser Supremo. É daí que resulta a imperturbabilidade, a serenidade de acordo como que falou Davi:  “Nada te irrite, porque  daí só resulta o mal” (Sl 36,8). Acontecimento algum perturba quem se entrega a Deus, dado que imediatamente transforma os espinhos deste exílio terreno em pérolas para a eternidade. Repete com o salmista: “Porque te desolas, ó minha alma, e de fremes dentro de mim? Espera em Deus. De novo eu darei graças. Ele é o meu salvador e meu Deus” (Sl 41,6). É a confiança total e o descanso no Senhor: “Volta, minha alma, ao teu repouso, porque o Senhor te favoreceu” (Sl  116,7). Fica, deste modo, banida qualquer agitação, qualquer temor.  Além disto,  é preciso não desejar concretizar grandes feitos espirituais.  No cotidiano, nas mais pequeninas ações feitas com capricho é que se encontra a maneira mais luminosa de agradar a Deus. Esta atitude é fruto da humildade e do bom senso, do afastamento da presunção. Jesus ensinou claramente, “Quem é fiel nas coisas mínimas, é fiel também nas grandes” (Lc 15,10). Um grau mais elevado de santidade Deus o permitirá se Ele vir que aquela alma está disposta a tanto. Os notáveis feitos dos santos devem ser admirados, mas nem sempre podem ser imitados. Adite-se ser preciso com a graça divina vencer ininterruptamente o amor próprio. Este leva a se comprazer nas realidades terrenas, transitórias, e conduz ao comodismo e a uma quietude condenável. Muitas vezes leva ao naufrágio espiritual porque são procuradas consolações. Por vezes, há até uma revolta intempestiva contras os erros, as fraquezas. Esquece-se que somente Deus é perfeito. Está no salmo: “Se levardes em conta nossas faltas, Senhor, quem poderá subsistir? Mas em vós se encontra o perdão: eu confio e nada temo.” (Sl 129/130, 3-4). Mesmo os que procuram os caminhos da santidade têm que conviver com as aliciações do Inimigo, mas rezam com fé: “Não nos deixeis cair em tentação”. São as fantasias sexuais, a falta de paciência, o orgulho, as distrações nas orações e tantas outras artimanhas do demônio e suas fórmulas maléficas . Cabe ao fiel fugir continuamente das ocasiões destas invectivas satânicas, mas estar consecutivamente disposto a recomeçar se houver alguma fraqueza, ainda que seja falta venial.  O desânimo nunca se apossa daquele que repete com Davi: “Com Deus faremos proezas " (Sl 58,14). Sabe que após a tempestade virá a bonança, a paz interior resultado da vitória contra o espírito mau. Adicione-se a todas estas reflexões que para não se afastar de Deus o cristão tem  necessidade  de permitir a atividade divina, não colocando obstáculo algum à mesma, permitindo que a graça nela modele a imagem divina. A alma fica passiva, deixando Deus operar sem bloqueio algum. Trata-se de repetir com São Paulo: “Eu sei em quem eu confiei”(2 Tm 3,16).  Compreende-se desde modo como esta fidúcia faz penetrar nos segredos divinos. No coração de quem permite a graça operar, Deus faz maravilhas. O despertar da dileção a Ele,  deste  modo, persistentemente se dá. Finalmente, quando o Pai do céu parece se ocultar, por entre as tribulações que Ele possa permitir, é de vital importância não haver o mínimo resquício de queixa diante dele. Ele sabe o que mais convém a cada um e nunca se pode trazer Deus ao próprio tribunal. Nesse caso, o desespero seria a maior afronta à ternura divina. A prova é que comprova a plena adesão de cada um a seu Senhor. Este quer, por vezes, o testemunho de um amor sem reservas, sincero, perseverante.  Quem coloca em prática todas estas considerações perceberá as delícias que fluem junto de Deus e que serão a porção dos eleitos por toda a eternidade. Tesouro perene para os que neste mundo caminharam sempre unidos a Deus.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
 * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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