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Programa de vida Cristã - Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

terça-feira, janeiro 13, 2015 Seara Viçosa 0 Comments

Eis o ideal do autêntico seguidor de Cristo: descobrir continuamente a verdadeira vida espiritual, deparando a liberdade interior. Para tanto cumpre escutar o que Deus lhe fala a cada instante para crescer sempre na fé. Longe de querer negociar com o Senhor Onipotente se interessar mais por Ele, procurando Sua honra e glória. Uma entrega total a Ele, não por mero interesse de suas dádivas e favores celestes. Deste modo, a prece não se torna uma moeda, mas um instante sublime de comunicação com o Ser Supremo. É que Ele, livremente, gratuitamente quer, de Sua parte, entrar em contato com suas criaturas racionais. Com efeito, deseja que cada um se doe a Ele, porque o maior dom é Ele mesmo. O cristão é um servo de seu Senhor, mas cuja relação com Ele deve se situar nas regiões da gratuidade. Assim, a santidade na qual o batizado necessita se desenvolver será uma consequência e ele encontrará todas as bênçãos divinas como resultado desta atitude de entrega a Ele. Este Deus se torna destarte o grande amigo e a oração passa a  se desenvolver na silenciosa presença daquele Deus que se encontra no íntimo da alma. Aí a essência mesma da fé que realiza uma das dimensões essenciais da afinidade entre o homem e Deus. O ser racional tem então o afã de amar o seu Criador e passa a compreender quão suave é o Senhor. Uma descoberta maravilhosa. Deus, de fato, não resiste a um coração que se abre sem reticências para Sua presença. Qualquer temor fica afastado, dado que se passa simplesmente a amar a Deus que é amor. É o permitir que Ele exista lá dentro de cada um, dado que  é um Pai amoroso, terno que deseja a felicidade de seus filhos. Tudo isto supõe a renúncia que não é a recusa da alegria, mas a procura da autêntica liberdade. .Ruem desta forma por terra todos os falsos ídolos, os apegos fúteis ao que é transitório. Deus se torna o único bem. Abrir-se para Ele é orientar o desejo para aquilo que vale a pena valorizar e que durará por toda a eternidade na mais profunda quietude. Há, pois, uma necessidade de uma reorientação contínua para Deus, apartando os obstáculos terrenos que impedem a união com Ele. A partir daí o cristão ousa crer no contínuo perdão divino, mesmo porque há, sobretudo, o desapego completo do pecado e de tudo que possa desagradar a Deus. Compreender-se-á que os benefícios celestiais não dependem de grandes penitências em reparação das faltas humanas, mas da dileção profunda que se tenha para com Aquele que é a Misericórdia infinita. Assim sendo, o reconhecimento da própria fraqueza não entrava a relação com Deus, mas, antes, a deve reforçar. O essencial não é o pecado, a debilidade inerente à contingência humana, mas a oblação a Deus, em cujas mãos o cristão procura inteiramente se entregar. Ficam também afastadas todas s formas de um ativismo sem rumo e, evidentemente, de todo imobilismo condenável. As preocupações tendem a se tornar uma obsessão, entretanto quando tudo se faz para o louvor divino as ações calmamente se sucedem longe de toda agitação. Impregnadas da sensação do divino as horas se sucedem na tranqüilidade e o cristão contempla maravilhas em seu derredor. De fato, a adesão à vontade de Deus abre um acesso a novas potencialidades humanas que ficam tantas vezes submersas no agitamento dos fatos exteriores. Todas as ocasiões se tornam propícias porque Deus está junto daquele que nele confia É certo que a maneira de se pensar em Deus não pode ser constante e igual, mas o desejo, a reta intenção ficam duráveis, vivos em todas as circunstâncias. O perigo que o cristão corre é a dispersão e a fascinação pelas coisas criadas. O que se esquece muitas vezes é que Deus está presente na vida de cada um ainda quando alguém nele não esteja pensando. Aos poucos a vontade própria vai se identificando sempre mais com o querer divino e as menores ações se tornam orações por força de se querer o que Deus quer naquele instante. É assim que o cristão fica consciente de que ele se torna feliz imerso na beatitude de Deus no qual vive numa atitude serena. É claro que todo este ideal de vida cristã  se dá através da união com Deus em Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, o qual, tendo tomado a natureza humana  é realmente o Caminho, a Verdade e a Vida. São Leão Magno deixou o magno alerta: “Cristão toma consciência de tua dignidade. Cristo se fez homem”.  Eis porque será sobretudo na participação na comunhão eucarística que seu discípulo verá crescer sempre mais sua intimidade com Deus.
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

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