"Vê a alegria que te vem de Deus" Br 4, 36b.

fevereiro 08, 2016 Seara Viçosa 0 Comments

O tema do Seara 2016 é “Vê a alegria que te vem de Deus” (Br 4, 36b), o Padre D’Artagnan Barcelos, atualmente em Pedra Bonita – MG, na tarde desta segunda, 08, veio partilhar sobre a palavra do profeta Baruc.
Certamente, Baruc foi secretário do profeta Jeremias, coube a ele profetizar em um tempo difícil e traumático em Israel. O povo foi tirado do Egito e levado à terra prometida, e como consequência dos seus pecados e infidelidade são colocados no exílio. E Baruc afirma “Coragem, Jerusalém! Aquele que te deu o nome consolar-te-á” (Br 4, 30). Conforme revelado, o tempo no exílio não dura muito tempo porque Deus os livra. E o profeta continua “Jerusalém, volta o teu olhar para o oriente, vê a alegria que te vem de Deus” (Br 4, 36).
A vontade de Deus é que tenhamos alegria, e Ele nos convida a saborear desta. Por isso, o Papa Francisco nos exorta na encíclica ‘Evangelii gaudium’ que “a alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que dão a vida por Jesus”. O evangelho é a palavra que nos liberta da tristeza, do pecado e do vazio interior.
O tema alegria interessa a todos: – quem não deseja ser feliz? Ao ligarmos a televisão nos deparamos com vários anúncios publicitários nos apresentando a “felicidade”. Nesta época, em que tantos falam sobre a alegria, talvez nunca se tenha visto tanta gente infeliz. A depressão que era tida como a doença do século passado continua até hoje assombrando muitas pessoas.
            As palavras do Papa Francisco na encíclica e também as do profeta Baruc são um convite a um novo tempo na evangelização marcado pela alegria. Porém, não uma alegria passageira que o mundo nos oferece, principalmente nesta época de carnaval.       

“Mas será que nós, cristãos assíduos, vivemos a alegria do evangelho de verdade?”

           Muitas vezes, ao invés de atrairmos mais pessoas para a Igreja, nós as espantamos com nossa “cara azeda”. Isso porque muitos que se dizem fervorosos não se encontraram verdadeiramente com o Senhor, se esbarraram muitas vezes, mas um encontro real ainda não existiu.
            Em Lucas (cap15, 11), o Senhor nos conta a parábola do Filho Prodigo. Sempre atual, ela nos tira do chão, porque hora somos o filho mais novo que gastou a herança, em outra somos o mais velho que, se dizendo um bom filho, não aceita com misericórdia o retorno do irmão. Deus, presente na figura do pai nos mostra a verdadeira alegria ao festejar o retorno do filho que se havia se perdido. Na passagem, ao falar da alegria do reencontro, Deus nos mostra seu rosto.
            O filho mais novo encontra uma alegria que é real, porém passa rápido. A sua busca é pela alegria no dinheiro, festas e bebidas. Ele encontra o vazio, uma alegria que não consegue preencher a necessidade do seu coração. E quem não sabe o valor que possui se coloca em liquidação. A época em que ele viveu não é tão diferente da que vivemos hoje, constantemente buscamos os mesmos prazeres, somos falhos e não conseguimos reconhecer a maravilha da felicidade que vem de Deus.  
            A alegria do reencontro entre o pai e o filho mais novo causa o desgosto do filho mais velho. Deus procura motivos para fazer festa, assim como aquele pai, afinal, seu filho foi criado pelo transbordamento da alegria da Santíssima Trindade. Aquele que se julga correto, bom filho, não consegue ver a felicidade do outro, é incapaz de agir com a mesma misericórdia que o pai age.
Há muitos cristãos que colocam máscaras para encobrir suas falhas, se colocam como santinhos, porém não agem como tal, assim era o irmão mais velho. Às vezes, fazemos tudo certinho, mas somos tristes, mal humorados. Um servo de Deus que se perde da alegria é porque tem rezado em cima de máscaras. A alegria do evangelho precisa salvar, e quem não se sente pecador não precisa se salvar. O irmão mais velho rezava tanto e só viu o defeito dos outros.

Para vivermos a alegria é preciso arrancar as máscaras, Ele quer mudar o nosso coração.  A alegria que te vem de Deus é aquela de ser amado com misericórdia, dada como um dom, pois por si mesmo não é possível. A graça só pode ser inflamada no coração contrito, humilhado. Quando conhecemos um Amor maior, nós queremos também que o nosso próximo experimente desse amor, dessa alegria que nos enche e renova. Da mesma forma, o Senhor tem estado com saudade de nós e daqueles que não perdem a missa em nenhum domingo. 

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